13.1.18

dirty little secret

de manhã, abro os olhos e não consigo me levantar. lembro da nossa conversa fiada de madrugada, depois de chegarmos em nossas respectivas casas com várias cervejas na cabeça e você, instintivamente, me mandar uma mensagem puxando um assunto qualquer só para que nossa conexão não acabasse nunca. de imediato, meus dedos escorregam para baixo do lençol e é sem surpresa nenhuma que percebo que já estou toda molhada. me preencho, penso que sou tua, minhas coxas se lambuzam.

(a vontade tem me deixado maluca, é verdade.)

tiro uma foto da cama manchada de prazer e te envio dizendo que, agora sim, depois de ter estado com você em ideia entre as minhas pernas, meu dia finalmente começou.

10.1.18

if i made you blue, i've had heartaches too

(...) depois de tudo, o incômodo fez-se presente e deu voz à natureza da dúvida.

- você vai ficar?

a resposta veio silenciosa. ela o olhou nos olhos e tocou seus lábios; tentava calar o barulho que havia dentro de si.

1.12.17

o dia parece que vai amanhecer. mas é a noite para sempre.

depois de não conseguir mais dormir, mesmo tendo passado menos de quatro horas na cama, peguei aquele livro que gosto tanto - e que sempre tem um tapa na cara a me oferecer quando não estou sã - para reler. eu não lembrava, mas a dedicatória na contracapa era sua. ali dizia: "nós, até o fim".

não pude deixar de rir da ironia de um livro chamado 'hell' ter exatamente essa frase escrita logo no começo. 

27.10.17

these sleeping dogs won't lie

a primeira vez em que pousei meus olhos neles, estávamos todos dividindo o mesmo ônibus. não pareciam habituados com a intimidade ali contida, apesar de desfrutarem dela. depois de algum tempo, reparei bem. ele usava uma aliança prateada no anelar direito; já ela, portava com certa delicadeza um grande diamante na mão esquerda, cercado por um anel dourado e reluzente. 

acredito que costumavam sair do trabalho próximo ao meu horário pois dali em diante passei a vê-los com certa frequência. às vezes, quando sentados, ele apoiava a cabeça no ombro dela enquanto acariciava o seu cabelo e nuca. vi aquele dia, uma quinta-feira, ele beijar levemente a lateral do braço dela. se estavam em pé, ele procurava manter a mão em sua cintura enquanto contava alguma história engraçada que a fazia gargalhar alto, sem vergonha alguma de ser feliz.

ele, sob a minha ótica, parecia estar em uma posição sobreposta àquele outro. maior e mais próxima. ele, que prestava atenção. e você também. ela se concentrava no toque dele e parecia esquecer que todo o resto é uma confusão criada para suprir vai-saber-o-que. mesmo com suas vidas cheias, fizeram questão de se inserirem ali.

eu os invejava.