14 agosto 2016

Eu prometi que ia melhorar e piorei.

13 agosto 2016

das coisas que eu sempre quis dizer (mas nunca disse)

com você, me descobri em meio ao fogo cruzado.
você costumava despertar o que havia de mais profundo e melancólico em mim.
doía demais, eu me lembro.
e eu consegui passar por tudo isso e sentir algo bom por você, ainda assim.
uma vontade de te ver bem, acima de tudo.
de vez em quando, confesso, até uma saudade leve.
uma curiosidade.

eu nunca mais te vi, mas eu te vi tantas vezes depois em um movimento meu.
em uma frase ou uma careta engraçada.
já te vi até em perfume no metrô, se quer mesmo saber.

às vezes ouço aquele samba e te imagino ali.
de vez em quando, procuro palavras aleatórias e teu nome aparece entre os significados delas.
nada em você me dói mais.
virou emoção, não mágoa.

e de alguma forma, ainda sinto seus olhos me atravessando o peito.
me afundando, me preenchendo, me lendo a alma.

06 março 2016

nesse meio tempo:

aprendi um monte de coisas novas, me desenvolvi profissionalmente, mentalmente, fisicamente. me aprimorei. listei meus piores defeitos e tentei mudar. completei um ano na empresa e fui elogiada nas reuniões. marquei férias, coisa que eu nunca tive antes. planejei uma viagem inteira. reformei meu quarto, pintei as paredes de vermelho, vou comprar uma cama de casal. não matei nenhum peixe, fiz muito carinho na barriga da minha cachorra, bebi mais do que nunca na vida. descobri uma pangastrite e tive crises horríveis. fiquei internada no hospital um final de semana inteiro. gastei rios de dinheiro. saí, dancei, peguei chuva, sentei em bares durante tempo demais. tive ressacas horríveis. apreciei bons queijos, boas comidas, vendi e comprei algumas roupas. joguei fora cartas antigas, fotos que não faziam mais parte da minha vida, guardei outras que não deveria. falei com pessoas que mal me conhecem mais e fiz novos amigos. não escrevi nenhum livro e nem plantei nenhuma árvore. na verdade, frequentei pouquíssimos parques. fiz algo novo pela primeira vez na vida. conheci restaurantes novos e aprendi a gostar de hambúrguer. passei a me cuidar mais e gastar dinheiro com cosméticos. amei demais. ri muito também. dormi várias vezes acompanhada e algumas vezes sozinha também. descobri que eu me aceito como sou.

e olha que ainda tem bastante coisa pra acontecer, hein?

14 novembro 2015

notas de um velho safado

"porque se você está chutando e a coisa não funciona você pode dizer apenas, merda, os deuses estão contra mim. mas se você sabe e a coisa não dá em nada você se adentra no sótão de sua mente e passa a percorrer para cima e para baixo obscuros corredores e a imaginar. isso não é nada saudável, acaba resultando em noites desagradáveis, muita bebida e máquina de triturar.

(...)

mas o que eu estou tentando lhes dizer é o seguinte, que a razão pela qual a maioria das pessoas está nas pistas de corrida é que elas estão agoniadas, é isso aí, e estão tão desesperadas que se arriscarão a mais uma outra agonia ao invés de encarar sua presente situação (?) perante a vida.

(...)

nós somos fisgados, esbofeteados e cortados em pedacinhos estupidamente. tão estupidamente que alguns de nós acabam finalmente amando nossos atormentadores porque eles estão lá para nos atormentar de acordo com linhas lógicas de tortura. e isto parece assim tão razoável, porque não há nada melhor pintando. tem que estar certo porque é tudo que existe."

bukowski