15.7.17

(nothing but) flowers

veio como uma brisa, carregando um monte de fumaça, problemas e sujeira e, em questão de dias, se transformou em um vendaval. ainda que de aparência frágil - talvez até sensível - demonstrou uma força enorme e muita vontade de continuar.

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eu sempre quis tanto amor, mas nenhum dos meus amores me bastou. tive tanto e todos e nunca me senti cheia até a borda. não fui preenchida, assim como não fui inteira de qualquer um deles. tão iguais em suas peculiaridades, eles me surpreenderam apenas por pouco tempo. eu poderia copiar os mesmos textos, as mesmas estrofes, a mesma poesia. eram os livros, a música, o álcool, momentos e alucinações. uma vida externa, que nunca foi inteiramente minha. fingi tanto e nunca por completo. eles faziam com que eu me sentisse especial e isso eu não podia tolerar. não era diferente, era só uma faceta. eu sabia o que falar e quando calar. tão simples para mim. nada óbvio para eles.

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me esquivei por muito tempo. aparentava não sentir nada, mas sentia tudo em grande escala. e sinto, até hoje. não me permiti vivenciar por inteiro, então vivo aos pedaços.

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não sabia se me machucava pelo tédio, pelo torpor, pela procura infinita daquilo que nem sei o que é. mas eu queria. e fui egocêntrica na minha busca implacável pelo sentir, ferindo tudo e todos que ousavam me rodear. só pelo prazer de ser atingida ou acometida por algo, de repente. surpresa.

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trancada na cabine do banheiro do trabalho, choro dores de amores que não vivi. eu, com a luz que eles dizem perceber em mim, ofusquei a todo o resto. 

7.4.17

poeminho

Ele te fere e você não fala
Ele te trai e você não escapa
Ele te pede e você se casa

Ele te enxota e você invade
Vai mas volta porque tem saudade
Ele te liga de noite e você aplaude

Ele chega bêbado e você reclama
Ele te bate na cara e você se engana
Ele te dá uma rosa e você se encanta

E mesmo com tanta lágrima que escorre
Entre noites em claro aturando o porre
Ele vive, e você morre.


22.3.17

bebo como se tivesse sido deixada por você.

16.3.17

rotina

em 2014:

Olho pra janela, trancada no meu cubículo de concreto, e enxergo o sol. Vejo os raios refletindo nos vidros espelhados dos prédios comerciais, o trânsito na marginal, as pessoas indo para lá e para cá, apressadas, lotando os restaurantes durante a sua uma hora de almoço. Comendo sem vontade, conversando cabisbaixas. Não percebo um sorriso ou um reencontro. Trabalhos que não dignificam.